O cenário econômico e comercial traz novas movimentações que merecem atenção do setor industrial. De um lado, o Brasil iniciou procedimentos relacionados à Lei da Reciprocidade Econômica diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos. De outro, o avanço do acordo entre Mercosul e EFTA cria novas oportunidades para a indústria catarinense. No ambiente interno, as regras relacionadas ao piso mínimo do frete continuam gerando preocupação quanto aos custos logísticos e à competitividade.
Para as empresas da cadeia florestal, acompanhar esses movimentos é fundamental para avaliar riscos, identificar oportunidades e planejar estratégias diante das mudanças no comércio exterior e no ambiente de negócios.
Brasil inicia processo de reciprocidade diante das tarifas dos EUA
O governo brasileiro iniciou o procedimento previsto na Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais.
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) passou a avaliar as medidas norte-americanas, enquanto o governo brasileiro avança nas consultas diplomáticas com os Estados Unidos.
O início do processo não significa a aplicação automática e imediata de novas tarifas contra produtos norte-americanos. A legislação permite que o Brasil avalie contra medidas proporcionais caso as negociações não avancem.
A estratégia brasileira, neste momento, continua priorizando o diálogo e a busca por uma solução negociada para reduzir os impactos sobre empresas e cadeias produtivas.
Para o setor industrial, especialmente para segmentos com forte presença no mercado norte-americano, como parte da cadeia da madeira, a evolução dessas negociações continuará sendo acompanhada com atenção.
Acordo Mercosul–EFTA abre novas oportunidades para Santa Catarina
Enquanto as relações comerciais com os Estados Unidos enfrentam um período de maior incerteza, novos mercados começam a ganhar espaço no horizonte das empresas brasileiras.
O acordo comercial entre Mercosul e EFTA — bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein — prevê isenção tarifária para aproximadamente 97% das transações de bens entre o Brasil e o bloco, além de redução gradual das tarifas para outros produtos.
Santa Catarina aparece em posição de destaque. Segundo levantamento apresentado pela FIESC, o estado é a terceira unidade da Federação com maior número de oportunidades de exportação para os países da EFTA, com 354 oportunidades identificadas.
O acordo também prevê facilidades operacionais, redução de barreiras burocráticas e mecanismos que podem favorecer a integração das empresas brasileiras às cadeias internacionais de comércio.
A implementação ocorrerá de forma progressiva, começando pela Islândia em 1º de outubro de 2026, seguida pela Noruega em 1º de novembro de 2026. Suíça e Liechtenstein têm implementação prevista para o primeiro semestre de 2027.
Em um momento de instabilidade em mercados tradicionais, a abertura de novas possibilidades comerciais reforça a importância da diversificação dos destinos das exportações brasileiras.
Frete preocupa indústria e pressiona competitividade
No mercado interno, outro tema exige atenção das empresas: as mudanças envolvendo a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.
A indústria vem manifestando preocupação com o impacto do tabelamento e das regras de fiscalização sobre os custos logísticos. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que 94% das empresas industriais que contratam transporte rodoviário identificam impactos negativos da política de pisos mínimos sobre os custos do frete, sendo que 64% classificam esses efeitos como altos ou muito altos.
Segundo avaliação da entidade, a política de pisos mínimos pode elevar, em média, os custos do transporte rodoviário para a indústria, afetando especialmente setores nos quais a logística representa parcela significativa do custo de produção.
Para a cadeia florestal, altamente dependente do transporte rodoviário tanto no deslocamento de matérias-primas quanto no escoamento da produção, mudanças nos custos do frete merecem acompanhamento permanente.
Um cenário de desafios e oportunidades
Os três movimentos mostram um cenário que exige cada vez mais capacidade de adaptação das empresas.
Ao mesmo tempo em que as tensões comerciais com os Estados Unidos e os custos logísticos representam desafios importantes, novos acordos internacionais podem abrir caminhos para diversificação de mercados e ampliação das exportações.
Para a indústria florestal, planejamento, eficiência logística, acompanhamento regulatório e busca por novos mercados tornam-se fatores cada vez mais estratégicos para preservar a competitividade.
SIFC acompanha as mudanças que impactam a indústria
O Sindicato da Indústria Florestal de Curitibanos (SIFC) segue acompanhando os principais acontecimentos econômicos, regulatórios e comerciais que podem impactar suas empresas associadas e o setor florestal.
Em um ambiente de rápidas transformações, informação de qualidade é uma ferramenta fundamental para apoiar decisões empresariais, antecipar riscos e identificar novas oportunidades.
O SIFC continuará mantendo seus associados informados sobre os desdobramentos desses temas e seus possíveis reflexos para a indústria.

