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O ambiente de comércio exterior segue exigindo atenção redobrada das empresas brasileiras. De um lado, as relações comerciais com os Estados Unidos continuam sendo acompanhadas de perto diante das recentes medidas tarifárias. De outro, a Reforma Tributária poderá provocar mudanças importantes no regime de drawback a partir de 2027, afetando diretamente empresas que utilizam o mecanismo para reduzir custos nas exportações.

Para a indústria catarinense e, especialmente, para o setor florestal, os dois temas reforçam a importância do planejamento, da atualização tributária e do acompanhamento permanente das mudanças no cenário internacional.

FIESC defende diálogo com os Estados Unidos

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) avalia que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos é o caminho mais adequado para buscar soluções às tensões comerciais recentes.

Santa Catarina está entre os estados mais expostos às mudanças tarifárias norte-americanas. Em levantamento anterior, a FIESC estimou que 54,5% da pauta exportadora catarinense seria afetada pelas novas alíquotas, demonstrando a relevância do mercado dos Estados Unidos para a economia estadual.

Para a Federação, a construção de soluções por meio de negociação diplomática e técnica é fundamental para preservar o comércio bilateral, reduzir incertezas e evitar novos prejuízos às empresas exportadoras.

O tema merece atenção especial da cadeia florestal, considerando a importância do mercado norte-americano para segmentos como madeira, móveis e outros produtos industrializados.

Competitividade continua no centro das preocupações

Além das tarifas já aplicadas, novas barreiras comerciais podem criar dificuldades adicionais para a indústria brasileira.

A FIESC vem alertando que sobretaxas, ainda que aplicadas também a outros países, podem favorecer empresas instaladas diretamente nos Estados Unidos e reduzir a competitividade dos produtos brasileiros naquele mercado.

Nesse cenário, a manutenção de canais de negociação, a diversificação de destinos das exportações e o planejamento estratégico tornam-se cada vez mais importantes para as empresas.

Reforma Tributária poderá alterar o drawback a partir de 2027

Outro assunto que exige atenção das empresas exportadoras são os possíveis impactos da Reforma Tributária sobre o regime de drawback.

O drawback é um dos principais mecanismos brasileiros de incentivo às exportações. Atualmente, permite a suspensão, isenção ou restituição de tributos incidentes sobre insumos utilizados na produção de mercadorias destinadas ao mercado externo.

Com a implementação progressiva do novo sistema tributário, especialmente da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), os procedimentos associados ao regime deverão passar por adequações.

Segundo a FIESC, as mudanças previstas para 2027 podem alterar regras de concessão e operação do drawback e terão reflexos diretos sobre as atividades de comércio exterior.

2026 já é um ano de transição tributária

A adaptação, entretanto, já começou.

Desde 1º de janeiro de 2026, as empresas passaram a conviver com novas obrigações relacionadas à Reforma Tributária do Consumo, incluindo a necessidade de adequação dos documentos fiscais eletrônicos para destaque individualizado da CBS e do IBS, conforme regras e leiautes estabelecidos pelos órgãos competentes.

A Receita Federal considera 2026 um ano de testes e transição do novo modelo, enquanto mudanças mais amplas avançarão nos próximos anos.

Por isso, empresas que atuam com importação de insumos, exportação de produtos e utilização de regimes aduaneiros especiais devem revisar processos fiscais, sistemas, contratos e procedimentos internos com antecedência.

Por que o drawback é importante para a indústria?

Para empresas exportadoras, o regime contribui diretamente para reduzir o custo de produção dos bens destinados ao exterior.

Ao permitir tratamento tributário diferenciado para matérias-primas e insumos incorporados a produtos exportados, o drawback ajuda a evitar que tributos internos sejam incorporados ao preço final da mercadoria comercializada internacionalmente.

Qualquer alteração no funcionamento desse mecanismo pode, portanto, influenciar custos, fluxo de caixa, formação de preços e competitividade.

Para empresas da cadeia florestal que utilizam insumos importados ou operam regularmente no comércio exterior, acompanhar a regulamentação será especialmente importante.

Empresas devem se antecipar

O cenário atual reforça duas frentes de atenção para os exportadores:

No mercado internacional, acompanhar as negociações entre Brasil e Estados Unidos e avaliar estratégias de diversificação comercial.

No ambiente tributário, compreender como CBS, IBS e as novas regras da Reforma Tributária poderão impactar operações de exportação e regimes especiais, como o drawback.

A antecipação permite que as empresas identifiquem impactos, ajustem sistemas e processos internos e reduzam riscos operacionais durante a transição.

SIFC acompanha mudanças que impactam o setor

O Sindicato da Indústria Florestal de Curitibanos (SIFC) segue acompanhando os principais acontecimentos econômicos, tributários e comerciais que possam impactar suas empresas associadas e a competitividade da indústria florestal.

Em um cenário de transformação das regras tributárias e das relações comerciais internacionais, informação e planejamento tornam-se ferramentas essenciais para a tomada de decisões.

O SIFC continuará mantendo seus associados informados sobre os desdobramentos das negociações comerciais e da Reforma Tributária, bem como sobre seus possíveis impactos para o setor produtivo.